As lembranças se cruzavam e atordoavam seus pensamentos com violência. As imagens de velhos tempos passavam a milésimos de segundo em sequência na sua cabeça e sua vontade era de retomar todos aqueles atos inconsequentes como se nada pudesse ferí-la; não mais do que já estava.
Se sentia realizada, vitoriosa, e ao mesmo tempo uma perdedora covarde sem coragem para prosseguir. Já estava enjoada de ver os seus erros se solucionarem corriqueiramente, e a esperança que ainda existia devido a esta circunstância só a fazia sofrer mais e mais.
Não queria pensar no amanhã, não queria ter expectativas pois sentia que sabia que tudo podia - ainda - ser diferente. Precisava gritar muito alto para que até sua alma a ouvisse e devido a isto esperava aplausos.
Faltava-lhe no entanto a compreensão de que aplausos não lhe eram necessários, pois o fato que estava em jogo era a sua felicidade extrema, a sua entrega como ser humano àquilo que acreditava ser o seu destino, o seu caminho.
A gratificação de viver é sentir cada instante da sua vida, cada minuto, cada ato, cada palavra pensada ou dita. A realização extrema está em absorver toda a energia das situações que vivemos, no momento de sua concretização, e não no amanhã do feito. Paremos todos de refletir as bonanças passadas, e de planejar as futuras. Não procuremos a felicidade com tanta intensidade que esqueçamos de sermos felizes: vivamos, todos os instantes, e por sí só únicos e especiais, e o amanhã se fará em plena glória, pois será apenas fruto do passado intensamente vivido.
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